Apreciação Crítica, 18º Porto Verão Alegre.

O espetáculo dirigido por Patsy Cecato apresenta uma visão divertida e crítica de como as mulheres desempenham os papéis femininos no cotidiano atual. No formato de palestra espetáculo, três mulheres mostram o panorama típico das funções executadas pelas mulheres no ambiente doméstico e profissional. Através de cenas curtas e com muita graça encenam essas personagens que se desdobram pra dar o melhor de si em todas as áreas da vida. Esposas perfeccionistas, mães alucinadas, amantes obcecadas, profissionais estressadas, cozinheiras medíocres, faxineiras exauridas e toda a gama de atribuições destinadas a elas que esperam executar com louvor todas essas funções. O que vemos são mulheres à beira de um ataque de nervos, onde a figura masculina, interpretado pelo único ator, Rafael Albuquerque, desempenha a caricatura do macho em seus inúmeros papéis. Pai, marido, chefe, filho, amante numa sequência de cenas muito engraçadas onde a batalha dos gêneros luta pelo direito a ser feliz. Ambos tentando seguir a risca as receitas estereotipadas de como vencer na vide e todas essas baboseiras dos livros de autoajuda.

Um espetáculo leve, debochado, onde as situações são colocadas em capítulos para iluminar as partes desse enorme quebra cabeças da rotina feminina. Obter o sucesso em todas as funções se tornou uma obstinação da mulher moderna que luta para ser boa companheira, mãe amorosa, profissional competente, amante sensual e ainda, por cima, ser magra. Requisitos propagados por todas as revistas femininas e incutidos no imaginário das mulheres que se cobram para responder a altura dessas fantasias. Lutando compulsivamente para conseguir o seu lugar ao sol baseada em contos de fadas e façanhas da mulher maravilha.

Rachamos o bico a cada nova cinderela esfarrapada que nos lembra de que o príncipe também virou um sapo. E que todas essas figuras fazem parte de uma mitologia da classe média para melhor organizar a sociedade de consumo de acordo com esses valores pequenos burgueses. Igualmente vítimas como os homens, eles são manipulados em suas escolhas e modelos. O Manual Prático da Mulher Moderna se comunica facilmente com a plateia que se diverte e interage espontaneamente ao longo do espetáculo. As atrizes brincam à vontade e com muita desenvoltura nos clichês propostos. Diálogos curtos e tempo ágil para favorecer a comédia, todos estão sintonizados com o tom farsesco do espetáculo. Divertimento garantido e entrosamento total com a plateia.

Nora Prado

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